Por Debaixo da Carne de Afrodite

 
Childe Hassam, Aphrodite, Appledore, 1908

Childe Hassam, Aphrodite, Appledore, 1908

Me afoguei em teu púbis
Antes disso esperei os termômetros
Dentro de suas coxas neblina
Nos enfeitávamos no sol que partia-nos

Eu gastei a tua língua
A gastei pelo gosto
Que fincasse no meu corpo
E nunca fosse despedida

Pisei na tua terra
Me deixei ser visto por tuas lentes
Me revesti em beijos solares de tuas telas
Lhe guardei confissões com esmero

Colei os olhos no teu véu
Caído, ao lado do vestido
Voltei a ti, como um desejo premeditado
Fazendo-lhe da pele um espelho e um exemplo de beijos

Trancei tuas pernas
Entrelaçamos dedos e línguas
Me encontrei jovem como teu amante
Tardei e tão já fui amor

O meu proveito é a fome de querer
Que nunca cessei com ninguém
A tua tentação é minha devoção
A líbido um fantasma e uma alegoria concreta

Eu dancei em teu corpo como o retorno
As hélices do seu ventre
Fizeram o moinho que construí
Impávido e zeloso

Eu entrei dentro da tua carne
A chegada e a despedida, e suas repetições
Ainda fincado, nunca findo
E por fim, vimos a visita do êxtase, juntos.

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