Statione Infernum

 
Enrique Lopez Garre, on  Pixabay

Enrique Lopez Garre, on Pixabay

Ao chover n’esta varanda

e o pingo d’água insiste em alcançar a poça,

Alcança também o meu pesar, tal

Molha o pranto já úmido e gélido devido a estação invernal (infernal?)

O tom que cai a gota é o mesmo que (des)entoa o do pranto meu

Sou convocada pela água quase escura a acompanhar tal demonstração

É quase doce não fosse a certeza de conhecer a funesta beleza

Que agora brota do coração escuro meu

Tal inferno só poderia ser mesmo no inverno

A gota é sã

A poça, vã

‘Inda fica um amor

Um velho amor

Eu vi satã

Meu doce horror

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