Oanna Selten

 
Arquivo pessoal - Oanna Selten

Arquivo pessoal - Oanna Selten

Escritora do Ser; cingida pela poética filosofia da existencialidade. Adoradora da linguagem, vive para ascender a própria consciência por meio da Escrita Transcendental. Aprecia as Artes, em especial as clássicas, embora não hesite em se deleitar pelo contemporâneo. Apetece-lhe a autenticidade, ainda que, para fundamentá-la, seja preciso destruir as normas literárias pré-estabelecidas – idem aos preceitos sociais déspotas. Está vinculada à natureza como as grandes raízes de uma centenária figueira, vê a magia entorno do Universo e realiza-se na compreensão dela. Gosta de apóstrofos e defendê-los-á até que se findem os dias humanos.

~
Conheça seus escritos:

Espere encontrar em meus Escritos as Palavras de minha essência que, pelo etereal de si, desvela-se em si mesma, para si mesma e além-si-mesma. Toda a poesia encontra recanto entrelinhas e se vê obrigada a conviver com a angústia da indagação e do pensar. A minha essência não destoa da essência dos demais humanos, pois que todos nós estamos jogados ao mesmo abismo: o Ser.

✒️ Clique para ler todos os escritos de Oanna Selten

~
Biografia

Há nos Outonos a essência de meu haver, seus longínquos arvoredos virente-orvalho junto ao calor dos dias claros e o álgido noturnal que desce feito dossel, incitando ao introspectivo voltar-se, mui lembram-me de mim. Eu sou Oanna, proponho-me, n’esta página, redigir sobre meu eu, embora prefira a prosa-poética dos Flamingos. Evito dar ao meu Ego o espaço de sua expansão, é desnecessário, desagradável; é por isso que todos os quadros pintados à óleo descansam nas paredes d’este lugar, preenchem, tão afáveis, meu recanto, pois, assim, não se alastra a ignorância egoica. Escrever requer dilacerar-se em sílabas, incite exprimir-se entrelinhas e, solitário como é, o ato já promove o reflexo contínuo do próprio Eu, por isso agrada-me as supras poesias sazonais, os versos amanteigados de puro cacau. O ego, a imagem de mim, já está diariamente comigo — a Escrita é a fuga à vivência além-ego, além-quotidianidade, além-tudo e além-nada — no absoluto que o Nada é tão maior que o Tudo ou é, em si mesmo, o único Tudo; resguardo-me na Escrita.

Como está visível e legível, sou Filósofa; não porque autointitulei-me como tal, trata-se do Saber da Verdade. Uma vez que a Verdade se revela, não se pode escolher des-revelá-la; debruçar-se à Verdade requer estar, até o desfecho do Ser, sob seu fundamento. Como sei que se trata d’A Verdade? Sei, pois que me angustio e estou só; a angústia e a solidão são os únicos horizontes tangíveis para o tipo humano, este que foi jogado no mundo condenado a Ser. Embora não pareça, mantenho-me no equilíbrio entre o abismo e a superfície. Sorrio o mesmo tanto que choro, não serei encontrada no caos que não seja o meu próprio, o qual mantenho sob tutela. É por isso que faço d’Arte meu rumo, sem as cores d’aquarela, os pinceis, os lápis, a vida em movimento traçado, fotografado, vívido, brilhante e cantado; ser-me-ia um poço e nada mais.

Minha mente chegou ao fim do universo e foi além, sinto os traumas d’esta ambição desd’então; somente na Arte diminuo as dores traumas e calo, por segundos, esta mente que segue ad aeternum em busca de transcendência. Eu sei, eu a permiti ser o que é, ela sou eu e eu a sou, somos um único ser, uma consciência só; apesar das dores, não me apetece ser outra que não eu mesma.

Para descrever meu espírito, é preciso um sempiterno grafar. Para compreender meu imo, é vital um ininterrupto ler-me.
— Oanna Selten

Cabe a mim ser-me e eu sou. Cada centímetro de minha Escrita, das letras aos sons; uma autobiografia redigida continuamente; nos versos e estrofes, parágrafos e linhas. Desde a tenra infância, até o término da vida. A Escrita é o que sou, o que tenho, é a única veste que me cabe, o único sorriso que me encanta, a única certeza que me permanece viva. Nas sombras negrume do fim do universo, a mente terrífica, o som abstrato de um absoluto vazio abismal, gotas de silêncio e angústia, por fim, as reticências de escrever… Eu escrevo. E, vês, não tenho medo do profundo escritual. Eu escrevo e não posso, não quero, d’isto me desvencilhar. Sem a Escrita o que me toma é melancólico, como um sopro de uma estrela vagante em energia e massa escura. Mal sabemos, ao vir-a-ser, o quanto crescer requer matar-se diariamente — meu pessimismo é como uma montanha; assim, nos primórdios, cada estação era magia e as chuvas indicavam aconchego — sinto saudades. Hoje, seja em qual sazão, há somente sabor de responsabilidade; o sabor dela e o saber-dela é um martírio e um prazer. Embora eu tente adequar-me à coexistência falatória, entrego-me por causa desta minha feição estrangeira, pois que sou de lugar nenhum e no prisma do possível àqueles que não a mim, ser de lugar-nenhum é não-ser. Logo, de todos os curtos excertos e sentenças que coleciono, este é mais um deles: Eu sou em meu não-ser.

Nos clichês quotidianos respiro uma fé, não direcionada àquele-que-não-está-lá, mas à mudança; creio na metamorfose e nela espero, paciente, por mais que a vivencie dia após dia, pois que ela, bem sei, n'este meu âmago sempre esteve e há de, perpétua, estar. Em todas as suas peculiaridade pude, então, nomeá-la de Onåev’em e representá-la na primeira letra de minha essência transcendental: O.A.N.N.A. A essência transcendental, e tudo o que compreendi no voltar-se-à, está em Ílus. Ílus é a linguagem que me vem criando ao passo que se mostra para mim. O mundo ainda não está pronto para Ílus e eu ainda, dela, estou aprendendo; portando não a apresento além do que é deveras importante. Desvelar O.A.N.N.A., por exemplo, possui a mencionada importância, porquanto é inconcebível desverlar-me sem desvelar O.A.N.N.A. e, aqui, vim desnudar-me o ser. Pois bem, redijo agora acerca de Ílus, invocando Mmahesí em cântico, porque sou feita desta energia, O.A.N.N.A. é esta energia e isso é vital.

ONÅEV’EM AEN’YNIA NIHS’ØMT NAHR ASSEMSCE

Dadas as dificuldades em emergir quaisquer seres, que não eu, em Ílus; toda a significação de O.A.N.N.A. foi grafado por mim em um único parágrafo, o qual denomino “excerto explicativo” que se basta em si, é digno de compreensão. Os termos últimos de “Assemsce”, porém, não serão elucidados em seus “excertos explicativo”, pois são mais do que complexos e não poderão ser resumidos fora das paginas do meu livro Absoluto Ser. Deixarei, deste modo, a significação em silêncio, assim àquele(a) que me lê poderá cuidar do que lhe é possível absorver.

O.A.N.N.A.: Que, conspícua sobre o próprio eu, enleva às metamorfoses transcendentes — e em imersão introspectiva faz-se ascendente a si mesma; não nega o outrora, mas sim, realiza-se por ser, pura e simplesmente, a cinesia. E a que tudo é tátil; tão veemente, transborda; do ínfimo ao magnificente — penetra com a mesma força, causando a mesma vibração; a energia suscetível ao ser. Assim todo movimento atinge, pois viver é uma única linha do tangível ao abstrato-originário campo do possível. O caos do coexistir é, do mesmo modo, o firmamento do haver singular. E faz-se predominante, cada característica, intensamente e sutilmente, desde o etéreo vir-a-ser singular. É-se, em si mesma, o que se é em plenitude, n’um íntimo que não é inato, não é construído; simplesmente é e, sendo, é-se. Guarda esta essência ininterrupta e sempre singular de sua singularidade, a qual realiza-se em plenitude absoluta na Escrita profunda e veemente, visceral e transcendente, assentada em εmnehvss ιnnom e guiada por ṗhɭoraɳ, aen’ynia e Ilin’ihes.

CAPA2.png

O símbolo acima, asas de borboleta sobre um triângulo, representa O.A.N.N.A. em todo o seu excerto explicativo — e além dela, a vivência etérea e recôndita. Fui inequívoca, sim, quando no exórdio d’este ensaio biográfico de antemão aclarei sobre meu conflito egoico com meu próprio ego ao buscar sempre evitá-lo, uma vez que sua essência já se manifesta naturalmente, todavia, posso segredar que este Eu possui certo encanto de existência n’esta significatividade de O.A.N.N.A. que o torna mais leva, apreciável por mim mesma — é um ganho, eu diria, até mesmo para a transcendência que almejo e que só é possível no equilíbrio Este encanto muito me faz sentir pertencente. Um vínculo em nome da paz entre a humana que sou e toda a humanidade que carrego. A trajetória extensa, maior do que soa os vinte e cinco anos que completo n’este agosto de dois mil e dezenove, ascende-me às sensações quais são cruciais preservar; em especial a Compreensão — entender-se em si, limites e poderes, aceitar-se partindo da Nnihåeń fundamental. Dou-me o privilégio de desvelar mais um termo Ílus: Nnihåeń. Seu excerto explicativo: "Epígrafes luzentes no curso inerente à Nahr”. Como guias para o autoconhecimento no voltar-se-à. Nnihåeń é um tipo de cântico Mmahesí:

IYTTR LÏNN ALIHRIR ÅENRH ONMREHR SNEHSÏE ANNAHM EHTRL ÅESRH'ILIHR IMNTT'EHS.

Meu Nnihåeń primeiro sempre me retira da inautenticidade e faz-me voltar à consciência sobre o inestimável valor de reconhecer o tempo preciso para uma metamorfose completar-se em seu ciclo natural. Eu que colho e nutro infindas transformações, devo lembrar que meu imo está repleto d’estas efêmeras borboletas de metamorfoses prolongadas que efetivam o tempo em sua temporalidade. As borboletas são insetos interessantes, demoram a desenvolver asas e, ao conseguirem, vivem pela sazão de poucos dias. Um Nnihåeń é sempre ímpar, sempre particular; são ensinamentos solenes. E por que em Ílus? Por que em cânticos? Por que tudo isso? Porque tocam em mim, profundamente; aproximam-me da transcendência escritual que tanto almejo. Escrever é o sentido e tudo o que me leva às profundezas da Escrita, torna-se imprescindível para mim.

Por vezes deparo-me com a indagação: Por que não ser comum, na simplicidade do todo-mundo? É deveras complexo e árduo ter um espírito voltado à Filosofia e à Poesia, duas instâncias veementes que ora se cruzam, ora se dispersam. Faz-se ainda mais custoso quando se tem uma capacidade mental lógica que gosta de se fazer manifesta. Uma Cientista, uma Poetisa e uma Filósofa em um único corpo; não se há de almejar vivenciar este transtorno — ou se há de. Todo humano carrega o peso de seu próprio Ser, tenho consciência do meu — de todas as suas grandes medidas — e o que tomo como único e mais contínuo ofício é: Ininterruptamente esculpi-lo, aprendê-lo e realizá-lo; parte de sua realização está aqui na construção d’este refúgio virtual, por isso, àquela(e) que degustou d’este ensaio autobiográfico: Minhas sinceras boas-vindas e minha etérea saudação Aehn Ehscia!

Aehn Ehscia é uma saudação singela que, em Ílus, representa, entre outras coisas, o ver-além do corpo (ente) por meio da compreensão das palavras - ditas ou escritas - do outro que não a mim.
— Oanna Selten